PARTE I - A ( escolheu entrar para a facção )
01A. INT. CASA DE CARLOS – DIA
Mais um dia nasce na favela e Carlos aquele dia acordou tarde e diferente. Ainda com fome, sem ter o quê colocar na mesa, com um ódio no olhar, como se Deus não tivesse mais olhando por ele. Como se ele tivesse sido abandonado pela vida. A partir desse dia, ele começa a “Breaking bad”.
Ele passa apressado pela mãe no sofá da sala em direção a porta da saída.
MÃE
Onde vc vai, meu filho. Ainda é cedo. Tá tudo bem?
CARLOS
Fique tranquila, mãe, eu vou voltar com o pão.
02A. EXT. QG FACÇÃO - DIA
Carlos sobe na fúria as ruelas da favela em direção ao QG da facção. Chegando no beco, como voz firme e decidida. Pede para chamar Julio, mas quem o atende é o próprio Decão, chefe local ali do bando.
CARLOS
Quero falar com o Julio. Ele é meu irmão. Ele ta aqui na área?
DECAO
Vc é o famoso irmão do Júlio. Eu já estava esperando por você. Não tão cedo, mas dessa vez ta perdoado. Entra! Seu irmão saiu, mas pode esperar aqui.
Carlos entra, no local uma mesa de bilhar, garrafas de bebida vazias da noite anterior, na mesa, uma quantidade significativa de droga, dinheiro e um revólver. Carlos observa tudo e se senta sem dizer uma palavra, mas mantendo a postura, sem medo.
DECAO
Julio falou que vc é bom em matemática.
Seguinte: se vc contar tudo direitinho, sem me roubar, duzentão é seu!
Carlos sem dizer uma palavra, começa a organizar a mesa para contar as notas.
Decão o deixa sozinho e volta em alguns minutos acompanhado de Júlio. As notas estavam todas organizadas e a soma do valor das vendas já estavam no caderninho, que estava na mesa, onde Carlos anotou os valores.
Decão, olhou tudo organizado, pegou o dinheiro, conferiu, tirou 200 reais do monte e deu na mão do Carlos
DECÃO
Bom trabalho, garoto. Ta empregado. Amanha as 9 aqui. Seu turno: das 9 as 16:00.
JULIO
Ele vai vir, Decão.. ele vai vir..
Julio se aproxima do irmão, estende a mão para fechar o acordo. Carlos consente. Aperta forte as mãos de Julio, que sorri… e vai embora sem dizer uma palavra.
03A. EXT. RUA
Carlos a caminho de casa com a compra que fez no mercado. Aqui ele ja está mais agressivo, com um tom de revolta. Encara a câmera.
CARLOS (V.O)
Agora já era e não quero nenhum fdp aqui pra me julgar. Fácil chamar de vagabundo, de bandido. Virei bandido sim. Trabalho pro tráfico e daí? Parem de romantizar a miséria, a pobreza a fome…Nem eu nem Dona Preta vamos mais passar fome. Nem que eu tenha que matar… ou morrer.
Imagens clipadas, apressadas em uma passagem de tempo dele saindo com mochila para ir pra escola e indo trabalhar no qg da facção e voltando com compras para cuidar da mãe fraca e doente…
até que um dia….
04A. CASA CARLOS - DIA
Carlos chega em casa e encontra sua mãe sem vida no sofá. Ela não resistiu.
Carlos se desespera, a abraça, chora
Tela preta respiração acelerada e aquele grito novamente,
05.A. MIRANTE - DIA
Após o grito, a cena abre com ele no mirante onde costumava ir para soltar esse grito libertador, sofrido.
Ele respira fundo, num olhar de revolta, encara a câmera mais uma vez.
CARLOS (V.O)
Mais um grito libertador. É como se a única coisa que eu ainda tivesse de bom na vida tivesse ido embora. E não sobra nada de bom, só rancor e tristeza. Agora não preciso mais fingir pra ninguém, não tenho mais ninguém. Aquele Carlos não existe mais. E tem gente ainda que insiste nele.
Carlos levanta e sai andando…
06.A. RUA- DIA
Chegando em casa, Carlos encontra Buga e Alice, que o esperavam em frente da casa dele.
Carlos os vê e reage:
CARLOS
O quê vcs estão fazendo aqui? já falei pra vcs ficarem longe de mim.
ALICE
Estamos preocupados, você não ta mais indo nas aulas, está nos evitando por quê?
CARLOS
Porque o Carlos que vcs conheceram não existe mais.
BUGA
Deixa de onda, irmão. Somos nós, seus amigos.
Carlos ergue a voz.
CARLOS
Amigo o caralho. Eu não tenho mais amigos. Já falei pra ficarem longe.
Alice e Buga saem assustados. Carlos entra em casa e bate a porta , trancando com chave.
Tela preta
Tempo passando imagens clicadas de Carlos trabalhando no Qg da faccão se enturmando com os bandidos, sendo bem recompensado, com roupas caras, ganhando uma arma, aprendendo a atirar, cheirando pó, cercado de mulheres e por fim passando de carrão novo.
Carlos sai do carro com marra ja de bandido, encosta no carro, encara a camera e fala:
CARLOS (V.O)
Tá olhando o quê? Se vcs achavam aquele Carlos do começo do filme legal, pois saibam que agora eu sou muito melhor.
Sou respeitado, tenho dinheiro na mão, o Chefe me ama. Até ganhei uma promoção: vc ta falando agora com o novo tesoureiro, responsável por toda contabilidade local.
Imagens dele na facção, esbanjando, rindo, jogando bilhar, bebendo. No final clip de imagens dele com o lettering: FUNCIONARIO DO MÊS.
CARLOS (V.O)
Mas a inveja é uma merda né, mano. Sinto que Julio ta enciumado e isso não é nada bom.
Imagens de Decao abraçando Carlos, paparicando , colocando ele em. Posição de destaque e Julio no canto com olhar de inveja, sai do local…
06.A. QG FACCAO - DIA
Carlos está organizando as contas e o dinheiro do dia e Decão o chama e manda a fala com olho no olho.
DECÃO
Quero que vc cresça aqui garoto. Vc é esperto, sabe das coisas, trabalha bem. Vou investir em vc.
Vc vai ser meu homem de confiança aqui.
CARLOS
Mas e o Júlio?
DECÃO
O Júlio é um drogado. Só anda fazendo merda por aí.
Flash de imgs de Julio drogado, bêbado, tentando estuprar uma garota menor no beco.
DECÃO
A única cabeça que aquele drogado sabe usar é a do próprio pau.
Imagem de Julio no banheiro ouvindo tudo, com ódio no olhar…. Ele cheira a cocaína na pia, sai do banheiro , passa por Deco e Carlos como se eles não existissem.
Decão não dá a mínima, o olha como um nóia drogado sem controle.
Carlos fica sem graça e volta ao trabalho que estava fazendo. Ele começa a recontar as notas, sem conseguir se concentrar, visivelmente nervoso. Ele se levanta da cadeira, encara a câmera e rompe a 4a barreira
CARLOS (V.O)
Eu sempre soube que o Júlio não valia nada, que aquele f.d.p era capaz de qualquer coisa por dinheiro e poder. Mas encomendar a morte do próprio irmão por ciúmes, inveja….
Ja faz um tempo que ele ta me olhando esquisito, me evitando. Eu sei que ele ta aprontando..não me sinto seguro mais perto dele. Na verdade nunca me senti.
Carlos pega sua mochila, sobe na moto e sai sem rumo
Fazer uma cena aqui que da para usar em ambos os tracks : Carlos vai ao mesmo terreiro de umbanda que seu pai frequentava.
O exu olha para ele e diz: vc nao pode fugir do seu destin
07.A. BAR DO TIAO - NOITE
Carlos resolve parar no barzinho do Tião tomar uma. Logo que chega avista Julio, falando alto, já embriagado e totalmente drogado. Carlos se senta sozinho em uma mesinha na rua e pede uma cerveja. Júlio o vê de longe e se aproxima com seus comparsas e provoca
JULIO
Irmãozinho, irmãozinho… agora é o queridinho do chefe, olha que maravilha. ´E bom se sentir poderoso? Ta com dinheiro, beca nova, corrente de outro, moto nova…
CARLOS
Qual o seu problema, Júlio. Não era isso que vc queria? Me ajudar a ter tudo isso?
JULIO
Cala a boca seu pirralho que eu sei bem o quê vc ta tentando fazer…. Quer pegar meu lugar, né? Só que pra isso, vai ter que passar por cima de mim. Fica esperto, moleque.
A nova versão de Carlos se levanta e enfrenta Júlio, apontando uma arma para ele
CARLOS
O único moleque bêbado e drogado que tem aqui é você, Julio. Não serve nem pra ser bandido. A facção é uma empresa. E empresa nenhuma quer um nóia drogado que nem você.
JULIO
Vc vai se arrepender de ter apontado essa arma para mim.
Julio entra no carro com seus comparsas e sai cantando o pneu
Carlos guarda a arma, senta de volta na mesa, bebe o copo de cerveja , respira fundo e quebra a 4a parede
CARLOS (V.O)
Eu não cheguei até aqui para baixar a cabeça pra ninguém. Muito menos pro f.d.p egoísta que matou meu pai.
O fato é que Se eu denuncio esse fdP pro Decao, ele manda passar o Julio ; Se eu não denuncio, quem vai morrer sou eu.
O quê vocês fariam no meu lugar?
INTERATIVIDADE 2: